Uma das manifestações patológicas mais comuns em peças de concreto, a lixiviação é causada basicamente pelo contato da estrutura com a água. Durante o processo de hidratação do cimento é formado um composto chamado hidróxido de cálcio — Ca(OH)2.

Essa substância, quando em contato com a água, pode ser dissolvida e carregada para fora da superfície de concreto. “A remoção do hidróxido de cálcio recebe o nome de lixiviação”, afirma Silvia Vieira, gerente geral de Pesquisa, Desenvolvimento e Qualidade da Votorantim Cimentos.

O fenômeno pode ocorrer em qualquer tipo de peça de concreto, seja nas recém-executadas ou naquelas com vida útil avançada. A principal causa do surgimento do problema é a utilização de cimentos mais puros (sem nenhum tipo de adição).

“A presença de adições, como escórias e pozolanas na mistura, faz com que o hidróxido de cálcio seja consumido e transformado em outros compostos que não sofrem lixiviação”, explica a profissional.

Em princípio, essa manifestação patológica sozinha não causa maiores problemas para a peça de concreto, sendo que a maior preocupação é com a estética da estrutura. Quando a infiltração da água dissolve e transporta os cristais de hidróxidos de cálcio, são formados depósitos de sais que surgem como manchas brancas na superfície de concreto.

“O material branco é o carbonato de cálcio resultante da reação entre o hidróxido de cálcio lixiviado e o CO2 da atmosfera. Quando leigos o observam, chegam a pensar que o concreto está se desfazendo. Mas não é bem isso que acontece”, ressalta Vieira, lembrando que, geralmente, a resistência da estrutura não é alterada pela lixiviação.

Porém, quando o fenômeno atinge estágios avançados, acaba criando problemas mais sérios para a peça. A remoção de elevadas quantidades de sólidos da estrutura abre caminhos para a entrada de substâncias nocivas às armaduras e ao próprio concreto. A penetração de CO2, por exemplo, tem o potencial de causar a corrosão das armaduras de concreto armado ou protendido. “Se elementos como cloretos ou sulfatos atacarem a peça, podem criar situações bem mais graves do que a lixiviação”, alerta a especialista.

O fenômeno também não danifica os revestimentos aplicados sobre superfícies de concreto, como as pinturas. “Na verdade, a tinta e os outros materiais atuam para diminuir os riscos da lixiviação, funcionando como barreira que protege contra a retirada do hidróxido de cálcio do concreto”, fala Vieira.

Fenômenos diferentes

A carbonatação é um fenômeno que se caracteriza pela redução do pH do concreto e menor proteção das armaduras. Induz a formação de depósitos brancos na superfície dos concretos em decorrência da reação entre o hidróxido de cálcio com o CO2 da atmosfera.

Tratando o problema

Como a lixiviação é relativamente simples e comum, é importante saber como lidar com ela. “Quando a manifestação patológica começar a aparecer, o tratamento da superfície se resume a uma limpeza para retirada do carbonato de cálcio”, comenta a especialista.

Essa atividade é realizada simplesmente utilizando um jato d’água sob pressão. Somente em situações mais graves, é recomendada a presença de profissional capacitado para avaliar se há algum tipo de comprometimento da estrutura.

Prevenção

Existem diferentes maneiras de evitar a lixiviação, sendo que as principais acontecem no momento de preparação do concreto. Uma das alternativas é a utilização de cimentos compostos, já que o uso de adições auxilia na redução da perda de hidróxido de cálcio.

“Outra opção é a diminuição da quantidade de água colocada na mistura do concreto, pois isso leva à produção de um concreto mais impermeável, evitando a entrada de água e reduzindo a ocorrência da lixiviação”, afirma Vieira, acrescentando que esses são os dois métodos mais simples de evitar o fenômeno.

Fonte: Mapa da Obra